Poucos objetos carregam tanta história quanto as bolas das finais da Copa do Mundo. Cada uma delas foi testemunha de lances decisivos, gols eternizados e momentos que mudaram o rumo do futebol.
Mas o que realmente acontece com essas bolas depois do apito final?
Neste artigo, eu explico o destino das bolas das finais, quem fica com elas, por que se tornam relíquias e como representam o legado de cada Copa.
Quem fica com as bolas das finais?
Assim que o árbitro encerra a partida decisiva, a bola utilizada entra em um protocolo rígido da FIFA. Em geral, a entidade máxima do futebol retém pelo menos uma das bolas oficiais da final para arquivamento histórico.
A FIFA costuma enviar essas bolas para museus, exposições e mostras internacionais. Algumas são exibidas em seu próprio museu em Zurique, na Suíça, e outras são emprestadas temporariamente para eventos especiais, como celebrações de aniversários de Copas.
Ao mesmo tempo, há outras bolas usadas durante o jogo — já que normalmente são disponibilizadas várias unidades idênticas para a partida. Algumas dessas podem acabar com os próprios jogadores, árbitros ou membros das equipes finalistas. É comum que atletas guardem uma bola simbólica como lembrança, especialmente se ela tiver ligação com um momento importante, como um gol na final ou uma defesa histórica.
Porém, nem sempre as bolas que vão parar nas mãos de jogadores são as exatas que decidiram a partida. A FIFA faz uma triagem para separar a “bola oficial da final” — a primeira que tocou o gramado — das demais. Essa bola principal passa a integrar o acervo histórico da organização. As demais podem ser leiloadas, doadas ou usadas em ações de marketing.
Empresas parceiras da FIFA, como a Adidas, também ficam com exemplares da bola final. Muitas vezes, elas são exibidas em eventos esportivos ou lançamentos de novos modelos. Além disso, algumas edições limitadas são vendidas ao público, com selos de autenticidade, o que transforma o objeto em item de colecionador.
As recordações mais famosas envolvendo bolas das finais
Diversas bolas das finais da Copa do Mundo se tornaram ícones culturais, guardadas em museus ou nas mãos de jogadores lendários.
Um dos exemplos mais conhecidos é a Telstar da Copa de 1970, usada na final entre Brasil e Itália. Foi a primeira bola com o design preto e branco, pensada para se destacar nas transmissões de TV — e se tornou um símbolo do futebol moderno. Essa bola original hoje faz parte do acervo da FIFA, preservada como um marco na história do esporte.
Outra bola memorável é a Tango España, usada na final de 1982, quando a Itália derrotou a Alemanha. Seu visual clássico e simetria perfeita marcaram época e inspiraram diversos modelos posteriores. Há exemplares dessa bola em museus da Europa e também em coleções privadas de ex-jogadores.
Na era recente, bolas como a Teamgeist Berlim (2006), a Jabulani (2010) e a Brazuca Final Rio (2014) ganharam atenção mundial. A Jabulani, por exemplo, foi criticada por seu comportamento aerodinâmico, mas a bola usada na final entre Espanha e Holanda foi guardada pela FIFA e exibida em Zurique. Já a Brazuca da final entre Alemanha e Argentina foi uma das mais reproduzidas comercialmente, com versões autografadas vendidas a colecionadores.
Em 2022, a bola da final no Catar, chamada Al Hilm, trouxe um diferencial tecnológico: sensores internos que ajudaram a detectar o toque no gol de Messi e Mbappé. A bola usada na decisão foi preservada e enviada para o museu da FIFA, representando o casamento entre tradição e tecnologia.
Por que as bolas das finais da Copa do Mundo se tornam relíquias
As bolas das finais da Copa do Mundo não são apenas objetos esportivos; elas são fragmentos tangíveis da história. Cada uma delas concentra emoções de torcedores, o esforço de jogadores e o desfecho de uma jornada que une o planeta a cada quatro anos.
Por isso, muitas dessas bolas são guardadas como tesouros. Elas representam conquistas nacionais, lances de glória e memórias coletivas que ultrapassam gerações. É comum que fãs e museus disputem a posse dessas relíquias, o que as torna ainda mais valiosas.
Além do valor emocional, há também o valor financeiro. Em leilões, bolas originais de finais históricas podem atingir cifras milionárias. O motivo é simples: quanto mais emblemático o jogo e o gol, maior o preço da bola. Um exemplo é a bola da final de 1958, vencida pelo Brasil, que foi vendida em leilão por um valor superior a 100 mil dólares.
A FIFA, no entanto, mantém o controle sobre a maioria desses itens, garantindo que o patrimônio histórico do futebol seja preservado e exibido ao público. A intenção é fazer com que cada geração possa reviver os momentos marcantes das Copas, vendo de perto o objeto que esteve no centro do espetáculo.
Um legado que rola para sempre
O destino das bolas das finais da Copa do Mundo mostra como o futebol vai muito além dos 90 minutos. Essas bolas são testemunhas silenciosas de alegrias, lágrimas e conquistas que moldaram a identidade esportiva de nações inteiras.
Quando pensamos em Pelé, Zidane, Iniesta ou Mbappé, inevitavelmente lembramos da bola que estava aos pés deles no momento decisivo. E é justamente esse símbolo físico que mantém viva a conexão entre passado e presente.
Cada Copa encerra um ciclo, mas a bola da final segue carregando memórias. Ela pode estar em um museu, nas mãos de um colecionador ou guardada em um cofre da FIFA, mas seu valor ultrapassa o material. É o elo entre os heróis e os torcedores — uma lembrança palpável de que o futebol é, antes de tudo, emoção e eternidade.